Goodrich estava linda, de fato. Não era à toa que tinha a fama de sair com uma garota de Londres a cada semana. Seu cabelo comprido estava solto, castanho quase preto, com a franja escondendo parcialmente sua testa, jogada para um dos lados. Ainda tinha – talvez até mais – a impecável postura arrogante, o nariz ligeiramente empinado e as maçãs do rosto naturalmente rosadas. Quando aquele meio sorriso já tão conhecido, sempre soando sarcástico e sendo ao mesmo tempo tão fofo, marcou os lábios da morena, Sophia a odiou. Como nunca havia odiado durante todos aqueles anos.
(goodrich <3)
| — | Paulo Coelho (via ser-leve) |
Amor é uma coisa meio engraçada, meio perigosa, faz a gente se sentir um pouco artista de circo: Pendurados em uma corda bamba há dezenas de metros do chão. E nessa corda nós brincamos, nós construímos nossos sonhos e nós esquecemos o quão frágil ela é, esquecemos que apenas um passo em vão nos fará cair e não há proteção lá embaixo. Apenas a queda.
É algo tão engraçado e tão perigoso que entra no cérebro, na alma e no coração do ser humano, que nos afeta de uma maneira estranha. E quem ama, estúpido (ou corajoso) que é, não liga para a queda. Caí. Machuca. Chora. Mas ama! E deste amor, tira forças para subir novamente. Para esquecer o medo de altura e brincar de ser feliz outra vez, ignorando qualquer possibilidade de uma nova queda.
Seria fascinante se não fosse trágico.
Sei apenas que, nessa história toda complicada, quero só segurar tuas mãos. Então eu sei que, se você perder o equilíbrio, eu vou te segurar. E se eu perder, você vai me segurar. Então nós vamos sentar nesta corda, balançando os pés para o abismo enquanto observamos os dias tranquilos passar com paz e cumplicidade. E quando chover, quando tempestades e trovoadas bnos encherem com aquele medo de cair, nós vamos entrelaçar nossos dedos e vamos nos manter equilibradas lá no alto.
Assim sei que nada vai nos derrubar.





